FENASPS SE SOLIDARIZA COM ESTUDANTES DA USP E REPUDIA VIOLÊNCIA DA PM DE SÃO PAULO

A Fenasps manifesta sua solidariedade aos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) brutalmente reprimidos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo durante a desocupação da Reitoria da universidade, ocorrida na madrugada deste domingo, 10 de maio.
A operação policial utilizou bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, cassetetes e agressões físicas contra estudantes que participavam da ocupação em defesa da permanência estudantil, moradia, alimentação e condições dignas para seguir estudando. Há ainda denúncias de feridos, detenções arbitrárias e violência durante a retirada dos ocupantes.
A repressão promovida pelo governo de Tarcísio de Freitas não pode ser analisada como um fato isolado. Ela faz parte de um projeto autoritário e neoliberal que avança em São Paulo com privatizações, ataques aos serviços públicos, perseguição aos movimentos sociais e uso crescente da máquina policial para sufocar mobilizações populares.
Os números da própria letalidade policial em São Paulo demonstram o aprofundamento dessa política de violência de Estado. Dados divulgados em 2026 apontam que 834 pessoas morreram em ações policiais no estado ao longo de 2025, o maior patamar dos últimos anos e o terceiro aumento consecutivo durante o governo Tarcísio. Somente no primeiro bimestre de 2026, as mortes provocadas por policiais cresceram mais de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Diversos levantamentos também apontam que a maioria das vítimas é negra e periférica.
O mesmo governo que entrega patrimônio público à iniciativa privada, desmonta políticas sociais e precariza serviços essenciais é aquele que responde com violência quando estudantes, trabalhadores e a população se organizam para resistir. A criminalização das lutas sociais tornou-se instrumento político de um modelo de gestão comprometido com os interesses do mercado e não com os direitos da classe trabalhadora.
A violência contra os estudantes da USP ocorre em um contexto de ataques à educação pública, sucateamento das universidades e aprofundamento da desigualdade social. Não aceitaremos que reivindicações legítimas sejam tratadas como caso de polícia.
A Fenasps reafirma seu apoio à luta dos estudantes em defesa da universidade pública, gratuita e exige rigorosa apuração das denúncias de violência policial ocorridas durante a operação.
A luta da juventude e da classe trabalhadora jamais será silenciada pela repressão.
Diretoria Colegiada
FENASPS


